Abismo

Tempestade próxima. Iluminação perfeita. O ácido que sai do estômago. As mãos suam enquanto o pensamento viaja sem rumo. Tardes perfeitas existem? Engulo em seco. Um desmaio se aproxima, os olhos descrentes. A força acumulada nos pulsos, o grito idealizado. Num piscar de olhos o corpo se acalma, constata o engano. Sinto o peso do desespero repentino que se esvai. A torrente que escorre me puxando para lugar nenhum.

A mesma janela de sete anos atrás, mas tão metamorfoseada pelos meus olhos. Velha mania de ver mudanças, de nunca ter certeza se é real.

Distância, sempre ela. A beleza que reside na distância, que se deixa sumir aos olhos mais próximos. As mesmas construções, a mesma brisa das tardes anteriores. A dor que senta na cadeira ao lado e sorri, um sorriso amarelado de algo já conhecido. Eu, com o velho porte orgulhoso de quem sabe não ter força, maxilar contraído e olhos quase cerrados. A dor não dói. A dor é.

Tarde de domingo e uma janela perfeita para o pulo.